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As Cruzadas

O contexto religioso e a política da Igreja.
A sociedade feudal era marcada por uma complexa malha de relações sociais: as relações servis e as relações de suserania e vassalagem. Aos poucos, o relacionamento entre os homens e Deus também passou a ser concebido como relações vassalo-senhor feudal
Ai está a origem do ideal de guerra santa. Era a luta contra os inimigos de Deus, fossem mulçumanos, heréticos, pagões e até critãos ortodoxos. O guerreiro era recompensado com a indulgência (perdão dos pecados) depois da luta, estendida a suas esposas casos permanecessem fiéis aos seus maridos. Durante a guerra, os bens do cruzado eram administrados pela Igreja, e o pagamento das suas dividas era suspenso temporariamente.
"A todos que partirem e morrerem no caminho, em terra ou mar, ou que perderem a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão dos pecados" (discurso pronunciado pelo Papa Urbano II em Clermont citado por Franco Jr.)
Outra obrigação dos fiéis em relação ao seu senhor era a penitência, pois acreditava-se que o sofrimento do corpo resultasse na purificação da alma. Uma das formas mais populares de penitência era peregrinação aos lugares santos da cristandade: Compostela, na Espanha; Chartres e Saint Michel, na França; Roma e, especialmente, Jerusalém. As peregrinações apresentaram a grande vantagem de colocar os penitentes em contato com as relíquias que também possuíam o poder santificador.
A visita aos lugares santos de jerusalém era a principal meta dos peregrinos, até que os Turcos Seldjúcidas conquistaram a Palestina em 1.071, empedindo seu acesso aos critãos. Um dos mais caros valores da espiritualidade medieval estava sendo ameaçada, e os europeus não hesitaram em organizar expedições militares para resgatar a Terra Santa das mãos dois infiéis. Estas expedições receberam o nome de cruzadas. Seus integrantes distinguiam-se do guerreiro comum porque usavam uma cruz como símbolo. Eram os guerreiros-vassalos do Cristo-suserano.
Mas não era apenas a religiosidade que estava sendo ameaçada durante o século XI. A Igreja enfrentava graves problemas internos, com o cisma do oriente (1.054) e a conseqüente diminuição com o poderio de Roma. Simultaneamente desenvolviam-se as disputas entre Papado e o Sacro Império e quarentena das investiduras.
Durante o concílio de Clermonte, na França, o Papa Urbano II renovou a proibição da investidura eclesiástica por leigos, isso é, somente membros da Igreja, poderiam poderiam dar títulos eclesiásticos. renovou também a prestação de juramento feudo-vassálico dos clérigos a um senhor feudal. A Igreja procurava ganhar terreno no plano político. Não foi por acaso que Urbano II pronunciou nesse concílio seu famoso discurso, convocando os europeus a conquistar Jerusalém. As cruzadas, patrocinadas pelo Papa siguinificavam para a Igreja a oportunidade de reunir a cristandade dividida, reafirmar seu poderio e fortalecer a autoridade papal.
"... é preciso que sem demora vocês partam em socorro dos seus irmãos do oriente, que várias vezes já pediram sua ajuda...
... que combatam os infiéis os que até agora se didicavam a guerras privadas, com grande prejuízo dos fiéis... que lutem agora contra os bárbaros os que se abatiam contra seus irmãos e pais..." (Discurso do Urbano II em Clermonte citado por Franco Jr.)
As palavras do papa revelam a aguda percepção do mundo medieval. A Igreja havia descoberto um ponto de união entre os belicosos senhores feudais europeus: o combate ao inimigo comum, o infiel que dominava o Santo Sepulcro.
Nessa empreitada, ela encontrou o apoio das monarquias nascentes, interessadas em fortalecer o seu poderio sobre a nobreza, mergulhada nas eternas guerras feudais.
Os "irmãos do oriente", ou seja, os bizantinos, também apoiaram os movimentos das cruzadas em várias oportunidades, chegando a propor em troca a reunificação dos cristãos do oriente e ocidente... negócio vantajoso para a Igreja, e necessário para o império bizantino conseguir deter o avanço mulçumano em seu território.

O contexto comercial


O comércio entre oriente e ocidente, por meio do mar mediterrâneo, manteve-se vivo durante a alta idade média graças a cidade de Gênova e Veneza.
A primeira possuía egemonia no Mediterrâneo ocidental desde o século XI, conquistando praças comerciais mulçumanas. Quanto a Veneza, podemos medir sua importancia pelos privilégios que obteve durante os séculos X e XI junto ao imperador bizantino: redução ou até isenção de tarifas alfandegárias e controle de uma feitoria em Constantinopla.
O surto verificado na Europa depois do ano 1.000 abria novas perspectivas aos mercados italianos. A elevação da produtividade agricola gerou excedentes que podiam ser trocados pelos artigos de luxo do oriente. As cruzadas constituiram excelente oportunidade em criar a sua área de influência no Mediterrâneo. A própria expedição militar representava um bom investimento, já que os italianos forneciam empréstimos, mantimentos, equipamentos e navios aos cruzados. Sua influência era de tal ordem que a quarta cruzada acabou sendo desviada da sua rota para atender aos interesses comerciais da Veneza.

Contexto Social


"... Que seja doravante cavaleiros de Cristo os que não eram senão bandoleiros ... que recebam as recompensas eternas os que até então lutaram por ganhos miseráveis que tenham uma dupla recompensa os que se esgotaram em detrimento do corpo e da alma. A terra que habitam é estreita e miserável, mas no território sagrado do oriente a extensões de onde jorram leite e mel..."(discurso de Urbano II em Clermonte citado por Franco Jr)
A grande religiosidade popular, o poder temporal da Igreja, os interesses mercantis e bizantinos não foram os únicos fatores do movimento cruzadista. Ele representou também uma solução momentânea para os problemas que surgiram no interior da sociedade feudal.
As inovações técnicas e a expansão das fronteiras agricolas não foram suficientes para atender à expansão demográfica verificada a partir do século XI. O parcelamento contido das terras expulsou muitos camponeses dos feudos, e o comércio, incipiente, não era capaz de absorvê-lo. Surgiu uma ampla camada de marginalizados em busca da alternativa de sobrevivência (incluindo o bandidismo, que colocava em risco as populações do campo e da cidade) no outro extremo da sociedade o número de nobres sem terra também crescia, já que somente o primogêne herdava as propriedades da família.
O fervor religioso dos cruzados aliou-se à necessidade de obter terras ou butim. Não foi coincidência o fato de França ter fornecido o maior contingente de guerreiros nas cruzadas do oriente. No seu território verificou-se o maior crescimento demográfico da Europa, aumentando as pressões sociais.
A Igreja encarregou-se de apontar a direção a seguir: "... no território sagrado do oriente há extensões de onde jorram leite e mel...". Era a promessa da fortuna na terra da vida eterna no Paraíso.

O movimento das cruzadas no Oriente

As expedições armadas com o objetivo de libertar a Terra Santa do domínio mulçumano estenderam-se de 1.096 até 1.270. Oito foram as cruzadas oficiais, isto é, organizadas pelo Papa, pelas monarquias européias e pela nobreza.Na verdade, houve um fluxo ininterrupto de peregrinações a Jerusalém, armados ou não, que desembarcavam todos os anos durante a primavera.
A notícia da queda de Jerusalém e o apelo de Urbano II atingiram profundamente os anseios populares, reforçados pela pregação de Pedro, o eremita. Alguns milhares de despossuídos de toda a espécie dirigiram-se a Terra Santa sem nenhum preparo, formando uma verdadeira cruzada dos mendigos. A fome levou os primeiros cruzados ao roubo e ao massacre das populações que encontraram pelo caminho. Apesar da ajuda fornecida pelo império bizantino fora dizimado pelos turcos .
Enquanto isso, o Papa e a nobreza preparavam a primeira cruzada (1.096-1.099), formada por contingentes franceses, alemães e normandos do sul da Itália. O imperador bizantino Aleixo I forneceu apoio naval aos cruzados e fez acordos para que as primeiras terras conquistadas integrassem seus domínios. Após três anos de combates, os cristãos do ocidente conseguiram alcançar Jerusalém e conquistá-la, num episódio de grande carnificina. De acordo com cronistas da época, os cruzados cometiam atos ediondos com estupro, canibalismo penduravam as cabeças de seus inimigos em lanças para intimidar seus inimigos mulçumanos a medida que avançavam sobre seu território "caminhavam com sangue até os tornozelos"afirmavam; e quanto aos mulçumanos, os sobreviventes "arrastavam seus mortos para fora da cidade e diante de suas portas formavam montes tão altos como casas".
Vitoriosos, os cruzados estabeleceram quatro Estados latinos no oriente: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém.
Os guerreiros que permaneceram no oriente tornaram-se proprietários de terras, nos moldes do feudalismo europeu. Outros fundaram ordens militares, que foram importantíssimas para a defesa das regiões conquistadas e para dar assistência aos peregrinos. Os monges-cavaleiros acumulavam enorme fortuna em terras, por meio de donativos e de empreendimentos financeiros. No oriente, estes guerreiros eram mais poderosos que a nobreza e os outros representantes da Igreja.
Antioquia e Trípoli constituíam importantes entrepostos comerciais, contando com o apoio de comerciantes italianos. Por isso, foram os domínios europeus mais estáveis do oriente. Jerusalém era importante apenas do ponto de vista religioso, pois não possuía bons solos para a agricultura ou litoral favoravel ao comércio. Além disso, estava constantemente exposta aos ataques do califado de Cairo, maior potência mulçumana da época.
A reação mulçumana à expansão européia no oriente começou ao norte: Edessa foi conquistada em 1.144, motivando a formação da segunda cruzada, desta vez pregada por São bernardo.
A desorganização das expedições e os desentendimentos entre os chefes cruzados resultaram na derrota dessa expedição. Enquanto isso, os mulçumanos resolviam suas diferenças internas, e, sob o signo do combate ao infiel ( do ponto de vista mulçumano), retomaram Jerusalém em 1.187.
A terceira cruzada (1189-1192) organizou-se em função da queda de jerusalém. Conhecia também como cruzadas dos reis, reuniu o soberano francês Filipe Augusto, e o inglês Ricardo Coração de Leão e o imperio alemão Frederico Barba Ruiva. O Papa procurava incentivar os seus fiéis à luta, aumentandoa distribuição de indulgências e atraindo combatentes de regiões periféricas da cristandade, como a Escandináva. Tudo levava a crer que a terceira cruzada seria um sucesso... mais nem o inimigo comum fazia com que a nobreza feudal entrasse em acordo. Com grande esforço tomaram a fortaleza de São João d' Acre, que se transformou no seu principal ponto de apoio militar. Saladino, chefe mulçumano, terminou por reconhecer a posse cristã dos territórios conquistados no litorale permitiu aa peregrinações a Jerusalém, graças à açãodiplomática de Ricardo Coração de Leão.
Mesmo assim as cruzadas continuaram, apesar de cada vez mais distantes do espírito religioso inicial. A quarta cruzada (1202-1204) esteve intimamente ligada aos interesses comercias italianos. Veneza financiou a expedições em troca de dinheiro e metade das terras conquistadas. Conseguiudesviar a rota da expedição para o litoral adriático, onde conquistaram a cidade de Zara, húngara e cristã. O alvo seguinte da quarta cruzada foi a cidade de Bizâncio , saqueada e invadida pelos ocidentais em represália ao não cumprimento do acordos de feitos com a família imperial bizantina.
Veneza foi a grande beneficiára da quarta cruzada, reforçando suas posições comerciais no Mediterrâneo. Dominou o império bizantino até 1261, quando sua rival, a cidade de Gênova, apoiou a restauração da monarquia bizantina.
Esses acontecimentos repercutiram fortemente na consciência européia. Com certeza Deus não aprovaria expedições, como as quarta cruzada, contra os próprios cristãos, mesmo que fossem húmgaros ou cismáticos... O fanatismo religioso e a forte pressão demográfica levaram à formação de uma cruzada das crianças (1212), na crença de que sua pureza de alma seria a garantia do sucesso. Foi um movimento popular espontâneo, que resutou na morte ou na escravidão de militares de crianças alemãs e francesas.
As cruzadas seguintes adotaram a estratégia de atacar o Egito para depois tormar Jerusalém. Mas os europeus não conseguiram igualar-se ao poderio militar muçulmano e passaram a acumlar fracassos nos campos de batalha a partir da quinta cruzada (1217-1219).
A sexta cruzada foi organizada pelo imperador alemão Frederico II. Ambicionando estender seus domínios até o Oriente, Frederico II realizou uma série de acordos com os árabes, conseguindo, pela diplomacia, a devolução de jerusalém e outros territórios aos latinos.
A situação no Oriente estava mudando. O avanço mongol pressionava as populações orientais em direçao ao Ocidente e, nesse movimento,Jerusalém caiu novamente sob o domínio mulçumano (1244).
A sétima e oitava cruzada foram chefiadas por Luís IX, da França (São Luís). Entre 1248 e 1250 Luís XI tentou colocar em pratícao plano de atacar o Egito, sem sucesso. Nova expidição foi organizada em 1270, e acabou se dispersando em virtude de uma epidemia que matou o própio rei franês.
No final do século XIII, os turcos apoderaram-se da última fortaleza cristã no Oriente: São João d'Acre. Várias papas tentaram organizar novas expedições, sem sucesso. Os tempos eram outros. As motivações sociais e econômicas que impulsionaram as primeiras cruzadas haviam deixado de atuar.